História de São Sebastião

do Tijuco Preto até Piraju.

 

Constantino Lemam, grande historiador de Piraju, em seu livro

“Piraju de Ontem e de Hoje” utiliza seu conhecimento de jornalista

e de teatrólogo para narrar de forma magistral os fatos que
aconteceram sobre a sua fundação e hoje a sua versão é aceita

como verdadeira, pois aborda o tema como se fosse um romance

épico.
 

Soube o historiador unir a crença dos índios que habitavam a

região e a religiosidade dos fundadores simbolizada na imagem

de São Sebastião e utilizou sabiamente como elo dessas
espiritualidades o rio Paranapanema.

 

O início de tudo começou com construção de uma capela bem próxima da margem esquerda do rio, dada a religiosidade dos fundadores, a imagem de madeira de origem italiana foi trazida pelos freis capuchinhos do Mosteiro de Itaporanga, do sul do Estado, para celebrar a primeira missa do então Patronato de São Sebastião do Tijuco Preto. Os índios que habitavam a região foram convidados para cerimônia religiosa. Ao verem a imagem de São Sebastião um homem amarrado a um tronco de arvore e flechado ficaram fascinados, pois a imagem era tão familiar ao costume e
tradição da tribo.

 

Naquela mesma semana, à noite, desceram o rio e roubaram a imagem e a levaram para a aldeia. Descoberto o paradeiro os fundadores começaram a negociação para devolução. Depois de muitos encontros e mediante a troca de bens os índios aceitaram em devolver a imagem, que foi trazida pelos indígenas pelo rio, como havia sido levada.
 

Assim, o vínculo cristão do povoado já tinha um Padroeiro. A catequese dos indígenas, com a proteção de São Sebastião, se realizou de maneira pacifica, sem litígios, pois a imagem havia tocado a crença religiosa dos índios, desde o primeiro contato.

Outro historiador de Piraju, Sr. Gilberto Polenghi, retomou a comemoração dessa tradicional procissão fluvial, com a imagem histórica, a partir da década de 80, que passou a ser realizada, anualmente, na festa de São Sebastião, e faz parte das celebrações do aniversário da Estância Turística de Piraju.

 

Hoje, ela permanece numa redoma de vidro no altar da Igreja Matriz de São Sebastião e por um espaço de tempo ela ficou num pequeno nicho na sacristia da Igreja e, posteriormente, sob a guarda do próprio Constantino, na Biblioteca Municipal, que como os índios ficou tocado pela imagem encontrada em sua pesquisa. Porém, não imaginava na época a relíquia que a imagem representava.

Entretanto, quando da presença aqui na Paróquia de Piraju do Pe. Sandro Sacchetti, ficou ele, também, vivamente interessado pela origem da imagem antiga e, por ocasião de uma de suas viagens a Roma, deliberou encarregar do seu estudo a alguém, conhecedor profundo do assunto.


Fotografando a imagem de todos os lados, ou seja, de suas seis faces, em formato mais ou menos grande, ao chegar a Roma o Pe. Sandro procurou o Pe. Luigi Grazzi, laureado em Missionologia e também Inspetor Honorário de “Antichita”, pelas descobertas arqueológicas nas grutas de Rossa (Ancona) e por haver publicado catálogo dos achados arqueológicos de Suasa Senonum (Pesaro). Descobriu uma tumba picena em S. Marcello (Ancona), merecendo ainda outros títulos honoríficos. Realizado o exame pelas fotografias o Pe. Grazzi classificou a imagem assim:
1) Origem italiana;
2) O corpo e o pedestal devem ser datados mais ou menos de 1670 – 1700;
3) Se a cabeça é um entalhado separado, remonta a 1500.

 

Testemunho de um devoto do Padroeiro São Sebastião.
 

Meu primeiro contato com a imagem histórica de São Sebastião aconteceu quando eu era coroinha, pois a imagem ficava na sacristia da Igreja Matriz. Registro que a imagem do Padroeiro é impressionante, pois difere dos demais Santos, uma vez que retrata o seu martírio amarrado a um tronco de árvore e flechado. Sempre fiquei impressionado por esse testemunho de Fé.
 

Quando visitei a Itália, em 1979, tinha três desejos de conhecer em Roma, a saber: Conhecer a Basílica de São Pedro; participar da audiência semanal do Papa João Paulo II. e visitar as catacumbas de São Sebastião, padroeiro de Piraju;
 

Minha estadia em Roma foi conseguida pelo padre Claudio Bicego, vigário de Piraju, junto as irmãs Ucranianas aqui no Brasil. A reserva foi numa hospedaria localizada no centro de Roma, com
vista para o Coliseu. Lá conheci a freira Joana, natural de Minas Gerais, que trabalhava no Vaticano. Através dela consegui credencial para a audiência do Papa em local privilegiado na Praça
de São Pedro. Me orientou de como deveria realizar a visita as catacumbas de São Sebastião fora dos muros de Roma, indicando corretamente a condução que deveria tomar até a Via Ápia e retornar para seguir até o templo erigido em honra de São Sebastião ao lado da entrada da catacumba.

 

A visita à catacumba era acompanhada de guia, pois é um labirinto, que orientava e dava as informações a respeito da vida daqueles cristãos que viveram um ambiente tão hostil. Até hoje tenho memoria desses sofrimentos assumidos pelos cristãos para defender a sua fé.

Hoje, Piraju é uma Estância Turística bem diferente do Patronato de São Sebastião do Tijuco Preto. Corremos o risco de querer apresentar a imagem histórica do Padroeiro como um simples ícone que deve ser visto, por curiosidade, como uma atração turística. Entretanto, essa imagem histórica é uma proteção presente na vida de nossa cidade, alicerçada no seu testemunho de vida cristã até o duplo martírio a que São Sebastião foi submetido para defender a sua fé.

 

Essa é a verdadeira veneração, que os devotos do Padroeiro devem apresentar aos nossos conterrâneos e para aqueles que nos visitam, fundamentados na crença dos fundadores e dos indígenas que aqui habitavam, no princípio de nossa história.
 

Assim, esse é São Sebastião, Padroeiro de tantas outras paróquias pelo Brasil. Seu testemunho de cristão em entregar até a sua vida, deve inspirar a todos os seus seguidores a adotar uma postura de luta diante das dificuldades da Igreja de Jesus Cristo no mundo atual.
 

SÃO SEBASTIÃO, ROGAI POR NÓS!

autor

José Glaucio Battiston

 

 

HISTÓRIA DE SÃO SEBASTIÃO
 

São Sebastião era um soldado romano que foi martirizado por professar e não renegar a fé em Cristo Jesus. Sua história é conhecida somente pelas atas romanas de sua condenação e martírio. Nessas atas de martírio de vários cristãos, os escribas escreviam dando poucos detalhes sobre o martirizado e muitos
detalhes sobre as torturas e sofrimentos causados a eles antes de morrerem. Essas atas eram expostas ao público nas cidades com o fim de desestimular a adesão ao cristianismo.
São Sebastião, histórico de vida. São Sebastião nasceu na cidade de Narbona, na França, em 256 D.C. Seu nome de origem grega, Sebastós, significa divino, venerável. Ainda pequeno, sua família mudou-se para Milão, na Itália, onde ele cresceu e estudou. Sebastião optou por seguir a carreira militar de seu pai. No exército romano, chegou a ser Capitão da 1ª da guarda, pois esse cargo só era ocupado por pessoas ilustres, dignas e corretas. Sebastião era muito dedicado à carreira, tendo o reconhecimento dos amigos e até mesmo do imperador romano, Maximiano.
Na época, o império romano era governado por Diocleciano, no oriente, e por Maximiano, no ocidente. Maximiano não sabia que Sebastião era cristão. Não sabia também que Sebastião, sem deixar de cumprir seus deveres militares, não participava dos martírios, nem das manifestações de idolatria dos romanos.
Por isso, São Sebastião é conhecido por ter servido a dois exércitos: o de Roma e o de Cristo. Sempre que conseguia uma oportunidade, visitava os cristãos presos, levava uma ajuda aos que estavam doentes e aos que precisavam.
De acordo com Atos apócrifos atribuídos a Santo Ambrósio de Milão, Sebastião teria se alistado no exército romano já com a única intenção de afirmar e dar força ao coração dos cristãos, enfraquecidos diante das torturas.

Martírio de São Sebastião

 

Ao tomar conhecimento de cristãos infiltrados no exército romano, Maximiano realizou uma caça a esses cristãos, expulsando-os do exército. Só os filhos de soldados ficaram obrigados a servirem o exército. E este era o caso do Capitão Sebastião. Para os outros jovens a escolha era livre. Denunciado por um soldado, o imperador se sentiu traído e mandou que Sebastião renunciasse à sua fé em Jesus Cristo. Sebastião se negou a fazer esta renúncia. Por isso, Maximiano mandou que ele fosse morto para servir de exemplo e desestímulo a outros. Maximiano, porém, ordenou que Sebastião tivesse uma morte cruenta diante de todos.
Assim, os arqueiros receberam ordens para o matar a flechadas. Eles tiraram suas roupas, o amarraram num poste no estádio de Palatino e lançaram suas flechas sobre ele. Ferido,
deixaram que ele sangrasse até morrer.

 

Irene, uma cristã devota, e um grupo de amigos, foram ao local e, surpresos, viram que Sebastião continuava vivo. Levaram no dali e o esconderam na casa de Irene que cuidou de seus ferimentos.


Segundo martírio de São Sebastião


Depois de curado, Sebastião continuou evangelizando e se apresentou ao imperador Maximiano, que não atendeu ao seu pedido. Sebastião insistia para que ele parasse de perseguir e matar os cristãos. Desta vez o imperador mandou que o açoitassem até morrer e depois fosse jogado numa fossa, para que nenhum cristão o encontrasse. Porém, após sua morte, São Sebastião apareceu a Lucina, uma cristã, e disse que ela encontraria o corpo dele pendurado num poço. Ele pediu para ser enterrado nas
catacumbas junto dos cristãos perseguidos.


Sepultamento


Alguns autores acreditam que Sebastião foi enterrado

no jardim da casa de Lucina, na Via Ápia, onde se

encontra sua Basílica. Construíram, então, nas

catacumbas, um templo, a Basílica de São Sebastião.

O templo existe até hoje e recebe devotos e

peregrinos do mundo todo.

 

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Procissão Fluvial